Sistema de Choque!
12. Abril. 2006

Nos passados 7 anos constatou-se que com o exponencial crescimento da rede global, iria existir também um crescimento e uma maior rapidez na partilha de informação, como óbvio também daquela que não seria suposta. Na passada semana alguém se lembrou de vir “berrar” a Portugal que tínhamos uma grave crise no sector menos legal da “transferência de tecnologia” entre os utilizadores, por outras palavras, a pirataria. Consta que é algo preocupante no nosso país, não ponho em questão se o é ou não, mas talvez devêssemos ter um pouco mais de “táctica” neste jogo mundial. Se eu for um pirata e sacar músicas pela rede, aos meus ouvidos e ao meu cérebro tal atitude cria valor, sou incentivado a faze-lo porque ganho mais do que perco, que se proceder de outra forma. Agora vejamos, vamos supor que o Paulo Coelho, disponibiliza o seu próximo livro na Internet, aos meus olhos e ao meu cérebro a coisa muda de figura… porque? Simples, quando eu possuo o livro do Paulo Coelho que está disponível na rede gratuitamente, a mim esse facto não me incentiva, porque? Porque não me cria um valor acrescentado, qualquer pessoa pode ter o livro, eu não ganho nada, também não perco, mas acima de tudo não ganho. No entanto e se eu possuir o livro em físico? Ai o caso muda de figura, já não é tão banal, eu ao comprar aquele livro criei valor, ganhei porque gosto e tenho um pedaço físico oficial do legado. Se um amigo meu se virar para mim e me disser “ain eu tenho o livro do Paulo Coelho” a minha pergunta será, compraste? e não… sacaste? Sacar qualquer um pode sacar, não tem nada de mais, mas comprar, comprar é diferente, eu pago mas fico com o original, sou diferente da maior parte das pessoas, isso cria em mim valor. E vocês perguntam, mas agora é precisamente a mesma coisa… se comprares um oficial também crias valor! Não necessariamente, se eu agora conseguir ter de graça, criei valor porque é algo que tive a custo zero sabendo que outros para o terem irão pagar, se for de graça como todos o têm só irei criar um valor acrescentado se possuir o original, o papel inverte-se. Se repararmos bem nem M$ vai ao extremo da parvoíce da caça à pirataria pelo sistema de choque, ou o faz pela calada ou serve-se disso para criarem dependência no sistema que tem, “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. Eles nem sonham, nem sequer imaginam.
Artigo da categoria: InfoTec
6 Respostas Comentar
1.
Adriano Afonso | 13. Abril. 2006 - 2:57
Já tínhamos falado sobre isso, e sinceramente gostei imenso da “posta” sobre o valor que se dá ao sacado, e o valor que se dá ao comprado.
No entanto, questiono sobre o valor que pago todos os meses pela minha internet, e sim, dou valor aos meus mp3, não a todos, mas sim dou valor aqueles mais importantes.
Por vezes encontro faixas que jamais vou encontrar cá em Portugal. É tudo uma questão de ponto de vista.
2.
Nuno | 13. Abril. 2006 - 11:44
A questão do “valor” é muito mais complexa, mas julgo que apontas na direcção certa. Aconselhava-te a ler “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica” de Walter Benjamin. Vais ver que te “acenderá” mais umas luzes sobre o assunto.
PS. já agora, tira o – de “sacaste” e “compraste”
3.
Tiago Alves | 13. Abril. 2006 - 15:11
Não convém porém esquecer, caro Pedro, que embora para ti algo comprado e raro tenha mais valor do que algo comum e sacado, nem todos pensam assim. Por isso mesmo, se o Paulo Coelho colocar os livros na internet, certamente teremos ambos os movimenos. Gente que, como tu, não sacará da net e continua a comprar o livro físico (ou não, porque é menos raro) e gente que apenas gosta de ler a história, pouco se importando com o formato, e que começará a sacar o livro pela net.
à diferença entre a música e os livros existe, de facto. Mas não na perspectiva massificada. Assim como tu das importancia ao livro fisico mas não ao CD original, e assim compras livros e sacas musicas, muita gente poderá ter a opinião inversa
Tudo, mas tudo, depende das preferencias
4.
Pedro Cavaco | 13. Abril. 2006 - 16:47
Adrinano:
Sem dúvida
Nuno:
Muito complexa mesmo, vou apontar o livro e já está corrigido (grato)
Tiago:
A questão passa pelo ponto de que quem realmente pouco preocupa com o formato da leitura (Paulo Coelho) já o faz o download ilegal hoje na mesma e nesse caso liberalizar ou não, não iria prejudicar perante esse público alvo, no entanto poderia surtir algum tipo de transformação dado que havia uma mudança de “valores” perante o objecto. Claro que tudo depende da nossa preferência, mas como se costuma dizer, o fruto proibido é o mais apetecido… é necessária uma transformação, ou sinceramente as editoras vão ter sempre a mesma pedra no sapato…
5.
João Matos | 14. Abril. 2006 - 1:22
Realidade, Valores, Liberdade
Numa era em que a Informação chega a todo o lado o consumo em massa torna-se norma. Eu quero consumir e existe demasiado para consumir! Vou pagar? Posso pagar? Vou pagar tudo o que quero consumir se posso te-lo sem custo?
Mutação de valores; há 100 anos os livros, por exemplo, davam dinheiro, hoje dão milhões. Numa cultura de massa onde tudo chega a todo lado qualquer produto gera milhões. Existem por isso duas novidades; Pelo escritor/publicador: posso chegar mais longe e ter mais dinheiro. Pelo comprador: posso ter mais barato se copiar; eles ganham milhões; eu não posso comprar tanto como posso ler.
Software: criação ou invenção?
Porque um livro é criação tem direitos de autor, e o software também?
Ou será que são ambos feitos para consumo de massas, assim como a musica?
Porque é que me hei-de preocupar em comprar uma versão original do Windows ((tm) (r) (c) …) ou comprar um album original? Para o dono da Virgin e um dos Vices da MIcrosoft (idem) irem para o espaço?
Quem é que está a fazer mal?
Eu que roubo um pdf aqui e um ogg ali, ou as multinacionais que me roubam no software, na musica, nos filmes, nos livros?
6.
Pedro Cavaco | 14. Abril. 2006 - 1:54
Agora que falas nisso, no outro dia na FNAC, o cd XY dos Coldplay custava 8€, todos temos a noção que um cd hoje em dia custa cerca de 20, portanto se com 8, todos conseguem ter lucro e ser mais acessiveis, nem quero imaginar o “pecado” que se gera com os 12 euros a mais no preço inicial… Não percebo onde querem chegar com estas campanhas de “choque” ou o spam já tem 3 dimensões e chega de avião a Portugal?!
Comentar
Algum HTML permitido:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>
Trackback a este artigo | Subscrever via RSS Feed